terça-feira, 24 de maio de 2011

O consumo para a maternidade consciente


Carolina Pombo é editora do Blog What Mommy Needs, criadora e administradora da marca de mesmo nome. Formada em psicologia, com mestrado em Saúde Pública, debate temas como: cidadania, sustentabilidade, políticas sociais e bem estar materno. É mãe de Laura, esposa de Marcelo Lino, e sócia de Melissa Marsden.

Nem preciso dizer que a conheci na internet...rs
Sempre muito questionadora, inteligente e consciente.

A experiência dela toca fundo, desfaz mitos, quebra paradigmas. E, se ela pode ser uma mãe consciente, ter um negócio sustentável, que se preocupa com o nosso planeta e em como as futuras gerações viverão, todas também podemos. 

Segue o texto que a Carolina prontamente se comprometeu em escrever para o especial deste mês. Espero que em alguma parte do texto você se identifique e se motive a repensar o seu negócio e torná-lo sustentável. E, se você ainda está na fase de planejamento do seu negócio, que tal pensar nesta relação de consumo e a maternidade consciente?

Minha história recente como empreendedora começou com a constatação de uma necessidade de mãe. Aliás, uma não, várias necessidades que são dificilmente atendidas pelo mercado de consumo brasileiro, a começar pela preocupação com a alimentação da minha família. Esbarrei muitas vezes na escassez de produtos naturais práticos e com preço acessível, ao longo desses quase três anos de maternidade. Consumo produtos orgânicos e sem conservantes, quando posso, e tenho o privilégio de morar numa região do Rio de Janeiro que oferece algumas opções de comércio, mas sempre muito caros.

Até que entrei numa crise com o leite, o de vaca mesmo, e o privilégio passou a ser uma necessidade urgente. Eu parei de amamentar, porque minha filha começou a não querer mais mamar, aos oito meses. E, com pouca informação e toda a pressão social para o desmame, acabei lançando mão das fórmulas artificiais na mamadeira. Não foi nada fácil escolher entre as marcas e os tipos de leite disponíveis, porque os de melhor qualidade são absurdamente caros, dez, vinte vezes o valor de um litro de leite comum. Mas, outra coisa me preocupava: minha filha começou a apresentar sintomas de alergia e eu comecei a ler sobre a adição de conservantes artificiais nos alimentos para crianças. No mesmo período, meu marido teve um choque anafilático – o pior grau de reação alérgica que uma pessoa pode ter – e depois de várias consultas e exames, descobrimos que o problema dele era muito maior do que uma alergia simples. Ele desenvolveu um desequilíbrio imunológico devido ao péssimo histórico alimentar, cheio de produtos industrializados, com alto teor de sódio e conservantes hardcore, como os famosos macarrões instantâneos. Ele teve que aprender comigo a diversificar e consumir vegetais e outras frutas além de banana. Tivemos que passar um bom tempo sem comprar  nenhum produto com conservantes artificiais – até o leite, sim o leite de vaca UHT é cheio deles.

Penei para encontrar um leite ao natural. Laura passou a tomar leite de soja e continuou a ter uma alimentação saudável, comendo sempre com muito prazer, sem alergias, e me dando o maior alívio! Atualmente, no lanche da escola, costuma levar “salgadinhos” de soja com queijo – sem corantes e conservantes artificiais, e sem soja transgênica – cookies integrais, além de bolos e pães feitos em casa, e sucos naturais e orgânicos feitos em casa ou de caixinha – sim, eles existem! Claro que não somos radicais, porque eu não tenho todo um staff doméstico para fazer tudo à mão, mas em comparação ao que vemos normalmente nas cantinas e lancheiras da escola, estamos muito bem! Encontramos algumas marcas nacionais que fabricam esses lanchinhos de forma sustentável e o mais natural possível. Infelizmente, eles se concentram em lojas especializadas que acabam cobrando caro e não chegam a todos os lugares do Brasil.

Essa jornada de pesquisas por marcas, produtos e lojas que atendessem nossas necessidades quanto à alimentação foi enriquecida pelo encontro de outras categorias de artigos direcionados para a sustentabilidade do planeta e a saúde materno-infantil. Em nossas viagens para a Europa e para outros estados do Brasil encontramos alternativas de consumo pouco disponíveis ou inexistentes nos centros urbanos brasileiros. E, em minhas viagens blogs afora fui conhecendo outras mulheres brasileiras que conseguiam levar adiante uma maternidade consciente, no que concerne a saúde física e mental dos filhos e das próprias mães. Descobri um movimento crescente pelo uso das fraldas de pano – e deslumbrei todo um mercado internacional, pulsante, voltado para as usuárias dessas fraldas ecológicas. Além de roupas feitas com algodão orgânico e brinquedos artesanais, sem uso de plástico.

Foi assim que nasceu a marca What Mommy Needs. O nome ela herdou de meu blog, no qual eu já vinha debatendo a maternidade/paternidade consciente, a transmissão de valores de cidadania para as crianças, e o bem estar das mulheres enquanto mães. Inspirando-me em marcas européias, canadenses e australianas, criei o projeto de uma loja virtual para disponibilizar para todo o Brasil esses produtos inovadores que encontrei ao longo de minha jornada pessoal e familiar.

Hoje, vejo a maternidade consciente não só do ponto de vista de uma mãe engajada, mas de uma cidadã global, brasileira, que sabe que as pequenas decisões de consumo do dia dia afetam toda uma rede. Essa rede pode ter impactos negativos e positivos, e nós, pais, queremos contribuir para que eles sejam cada vez mais positivos e conservem um mundo mais saudável para nossos filhos, né? Em minha própria família percebo que a mudança desses hábitos resulta em benefícios imediatos e a longo prazo, e o esforço que fazemos hoje é totalmente compensado.

Mudar é difícil, sim! Temos medo de oferecer novos padrões de alimentação e consumo para nossos filhos, temos medo que eles se neguem a comer, que sintam-se rejeitados na escola, que vivam frustrados por não terem os brinquedos da moda. Mas, pra falar a verdade, eu só persisti em minhas decisões, porque vi os resultados imediatos e ganhei esperança para os futuros: Laura – que tinha sido diagnosticada como uma “criança alérgica”, come praticamente de tudo, só tem reações mesmo a certos medicamentos, além disso, as fraldas de pano nos ajudaram bastante no desfralde e na prevenção de assaduras. E, se você quiser, é possível ver vantagens individuais e coletivas em todas as alternativas ecológicas de consumo. Essa é minha mensagem!

2 comentários:

Milla Muglia disse...

Adorei o post, estou super nessa sintonia de sustentabilidade e é nessa linha que tento conduzir as coisas lá em casa, sem neurose!
Bjkas!

Patricia disse...

Em casa nos preocupamos muito com sustentabilidade e com alimentação tanto dos grandes quanto dos pequenos.
Tenho certeza que nosso esforço e tudo o que estamos ensinando aos nossos filhos, farão muita diferença lá na frente.
Parabéns pelo post e pela iniciativa de vcs meninas.
Em breve espero poder compartilhar minhas idéias de empreendedorismo.
bjs